Hoje eu queria registrar algumas estratégias que tenho usado para fazer a avaliação dos alunos. É claro, eu não estou aqui indicando a melhor forma de avaliar, é apenas uma reflexão. Talvez alguém aí tenha formas melhores.
Bom, vamos começar pela avaliação escrita. Tem muita gente que foge dessa forma, eu inclusive já olhei para ela com muitas caras feias. Prova escrita sempre tem cara de educação bancária, não é? Apesar disso, nos últimos tempos eu tenho percebido que é uma forma simples do aluno perceber suas evoluções. Para ter essa visualização, é preciso que se estabeleça o que era preciso atingir e o que será cobrado na avaliação. Eu tenho feito avaliações escritas a cada mês, às vezes, até em períodos menores.
Numa primeira etapa, defino com os alunos o que será trabalhado naquele período. É claro que eu não deixo que eles definam tudo o que querem aprender e fazer, não dá para abandonar o programa oficial assim. Claro. Mas sempre dá para ouvir as opiniões dos alunos sobre o que vamos fazer.
Uma vez, estava nesse processo com uma turma de 5° ano. Nosso conteúdo daquele período era o estudo da dinâmica da Terra. Os alunos encontraram experiências sobre o tema no livro didático e queriam realizá-las. Conversamos, algumas eram possíveis de fazer em nosso espaço, outras não. Combinamos o que iríamos fazer e, logo, já sinalizamos o que seria cobrado no final do processo.
Uma vez, estava nesse processo com uma turma de 5° ano. Nosso conteúdo daquele período era o estudo da dinâmica da Terra. Os alunos encontraram experiências sobre o tema no livro didático e queriam realizá-las. Conversamos, algumas eram possíveis de fazer em nosso espaço, outras não. Combinamos o que iríamos fazer e, logo, já sinalizamos o que seria cobrado no final do processo.
Já sabendo, então, o que será cobrado na prova, seguimos.
Agora sobre a prova escrita propriamente dita. Uma semana antes da prova, fixo a data da avaliação com os alunos e relembro com eles o que vai "cair na prova". Tenho achado isso interessante. O que reparei é que nas primeiras provas, ninguém me dá bola, mas nas seguintes os alunos vão tomando a iniciativa de estudar em casa. A primeira prova é sempre um fracasso: pense numa chuva de notas baixas. Nas outras a coisa vai melhorando. Já houve momentos que os próprios alunos pediram uma aula de revisão antes da prova.
Já vou avisando que para mim, a prova é mais uma oportunidade do aluno refletir sobre o que aprendeu e fixar os conteúdos. Dessa forma, a chuva de "vermelhas" não me assusta. Eu considero que os alunos estão aprendendo a estudar ainda e, acima de tudo, que isso não é uma cultura em nossas escolas. Estudar não é valorizado. Essa primeira nota da prova eu quase nunca uso na média. Calma, calma. Já vou explicar porquê. Eu faço uma prova de "recuperação" uma semana depois da primeira prova e, normalmente, quem teve um desempenho muito ruim quer se esforçar na segunda oportunidade. É claro que sempre tem um ou outro que dá na mesma, já vi casos inclusive, de crianças que vão pior na segunda oportunidade. Nesses casos, eu considero a nota maior, né? Mas isso é exceção. Normalmente as crianças se chateiam com o mal desempenho e querem melhorá-lo.
Antes da prova de recuperação, eu deixo os alunos compararem suas primeiras provas, conversarem, etc. Vejo um monte de "Eh, seu burro, você errou aqui, era assim, assado!". Ok. Pode parecer meio agressivo, mas é a forma deles se expressarem e eu fico de orelha em pé para conter os excessos, ando pela sala, converso com os alunos. Muitos percebem, eles mesmos, como era simples o que erraram ou, às vezes, era mesmo algo muito complicado e daí já explico também. É um tempo que consigo conversar com as crianças individualmente, não todas, claro. Depois disso eu corrijo a prova coletivamente e tiro as dúvidas. Uma semana depois, fazemos a prova de recuperação.
Elaboro uma prova muito parecida com a primeira, não com as mesmas questões, mas com temas próximos e com a mesma estrutura de exercício. Se a primeira prova era de múltipla escolha, repito a forma na segunda. Tenho a impressão de que em muitos casos que o aluno sabia o conteúdo, não sabia era aquela forma de exercício.
Uso outras formas de avaliação, que acho melhor comentar em outro post, esse já ficou meio grande, né?
Antes de terminar queria ressaltar algumas coisas:
Primeiro, essa é só uma forma que achei para trabalhar, não acho que seja a melhor.
Outra, tenho consciência de que fazer muitas provas é extremamente trabalhoso com turmas grandes ou, pior, no caso de muitas turmas grandes, como é o caso dos professores que trabalham com Fundamental II e do Ensino Médio. Quanto mais turmas eu tenho, menos avaliações eu dou, afinal, não adianta fazer uma monte de coisas e não corrigir.
Primeiro, essa é só uma forma que achei para trabalhar, não acho que seja a melhor.
Outra, tenho consciência de que fazer muitas provas é extremamente trabalhoso com turmas grandes ou, pior, no caso de muitas turmas grandes, como é o caso dos professores que trabalham com Fundamental II e do Ensino Médio. Quanto mais turmas eu tenho, menos avaliações eu dou, afinal, não adianta fazer uma monte de coisas e não corrigir.
Nesses casos eu costumo fazer uma avaliação por bimestre e já vou corrigindo lá na sala com eles mesmo, senão levo um monte de coisa para casa. Ninguém merece. Chego a parar as aulas alguns dias para corrigir avaliações e colocar diários, tarjetas, etc, em dia. É uma pena: o senhor governo podia me pagar melhor, assim eu não precisaria ter tantas turmas e poderia fazer o processo de avaliação melhor.
Uma coisa que faço para não perder totalmente essas aulas é pedir para os alunos já irem levantando ideias para o próximo período de estudo. Às vezes é produtivo, às vezes não.
Uma coisa que faço para não perder totalmente essas aulas é pedir para os alunos já irem levantando ideias para o próximo período de estudo. Às vezes é produtivo, às vezes não.
Mas não vamos nos descabelar, o jeito é fazer o nosso melhor dentro das condições que temos. Tô seguindo por esse caminho porque de professor doido o mundo já está cheio.
Bom, por último, a prova escrita é uma boa forma de registro da evolução. Claro, ela nunca mostra a totalidade do aluno, mas serve de ponto de partida.


