sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Avaliação e Avaliação Escrita

Hoje eu queria registrar algumas estratégias que tenho usado para fazer a avaliação dos alunos. É claro, eu não estou aqui indicando a melhor forma de avaliar, é apenas uma reflexão. Talvez alguém aí tenha formas melhores.

Bom, vamos começar pela avaliação escrita. Tem muita gente que foge dessa forma, eu inclusive já olhei para ela com muitas caras feias. Prova escrita sempre tem cara de educação bancária, não é? Apesar disso, nos últimos tempos eu tenho percebido que é uma forma simples do aluno perceber suas evoluções. Para ter essa visualização, é preciso que se estabeleça o que era preciso atingir e o que será cobrado na avaliação. Eu tenho feito avaliações escritas a cada mês, às vezes, até em períodos menores.

Numa primeira etapa, defino com os alunos o que será trabalhado naquele período. É claro que eu não deixo que eles definam tudo o que querem aprender e fazer, não dá para abandonar o programa oficial assim. Claro. Mas sempre dá para ouvir as opiniões dos alunos sobre o que vamos fazer.

Uma vez, estava nesse processo com uma turma de 5° ano. Nosso conteúdo daquele período era o estudo da dinâmica da Terra. Os alunos encontraram experiências sobre o tema no livro didático e queriam realizá-las. Conversamos, algumas eram possíveis de fazer em nosso espaço, outras não. Combinamos o que iríamos fazer e, logo, já sinalizamos o que seria cobrado no final do processo.
Já sabendo, então, o que será cobrado na prova, seguimos.

Agora sobre a prova escrita propriamente dita. Uma semana antes da prova, fixo a data da avaliação com os alunos e relembro com eles o que vai "cair na prova". Tenho achado isso interessante. O que reparei é que nas primeiras provas, ninguém me dá bola, mas nas seguintes os alunos vão tomando a iniciativa de estudar em casa. A primeira prova é sempre um fracasso: pense numa chuva de notas baixas.  Nas outras a coisa vai melhorando. Já houve momentos que os próprios alunos pediram uma aula de revisão antes da prova.

Já vou avisando que para mim, a prova é mais uma oportunidade do aluno refletir sobre o que aprendeu e fixar os conteúdos. Dessa forma, a chuva de "vermelhas" não me assusta. Eu considero que os alunos estão aprendendo a estudar ainda e, acima de tudo, que isso não é uma cultura em nossas escolas. Estudar não é valorizado. Essa primeira nota da prova eu quase nunca uso na média. Calma, calma. Já vou explicar porquê. Eu faço uma prova de "recuperação" uma semana depois da primeira prova e, normalmente, quem teve um desempenho muito ruim quer se esforçar na segunda oportunidade.  É claro que sempre tem um ou outro que dá na mesma, já vi casos inclusive, de crianças que vão pior na segunda oportunidade. Nesses casos, eu considero a nota maior, né? Mas isso é exceção. Normalmente as crianças se chateiam com o mal desempenho e querem melhorá-lo.

Antes da prova de recuperação, eu deixo os alunos compararem suas primeiras provas, conversarem, etc. Vejo um monte de "Eh, seu burro, você errou aqui, era assim, assado!".  Ok. Pode parecer meio agressivo, mas é a forma deles se expressarem e eu fico de orelha em pé para conter os excessos, ando pela sala, converso com os alunos. Muitos percebem, eles mesmos, como era simples o que erraram ou, às vezes, era mesmo algo muito complicado e daí já explico também. É um tempo que consigo conversar com as crianças individualmente, não todas, claro. Depois disso eu corrijo a prova coletivamente e tiro as dúvidas. Uma semana depois, fazemos a prova de recuperação.

Elaboro uma prova muito parecida com a primeira, não com as mesmas questões, mas com temas próximos e com a mesma estrutura de exercício. Se a primeira prova era de múltipla escolha, repito a forma na segunda. Tenho a impressão de que em muitos casos que o aluno sabia o conteúdo, não sabia era aquela forma de exercício.
Uso outras formas de avaliação, que acho melhor comentar em outro post, esse já ficou meio grande, né?

Antes de terminar queria ressaltar algumas coisas:

Primeiro, essa é só uma forma que achei para trabalhar, não acho que seja a melhor.

Outra, tenho consciência de que fazer muitas provas é extremamente trabalhoso com turmas grandes ou, pior, no caso de muitas turmas grandes, como é o caso dos professores que trabalham com Fundamental II e do Ensino Médio. Quanto mais turmas eu tenho, menos avaliações eu dou, afinal, não adianta fazer uma monte de coisas e não corrigir.

Nesses casos eu costumo fazer uma avaliação por bimestre e já vou corrigindo lá na sala com eles mesmo, senão levo um monte de coisa para casa. Ninguém merece. Chego a parar as aulas alguns dias para corrigir avaliações e colocar diários, tarjetas, etc, em dia. É uma pena: o senhor governo podia me pagar melhor, assim eu não precisaria ter tantas turmas e poderia fazer o processo de avaliação melhor.

Uma coisa que faço para não perder totalmente essas aulas é pedir para os alunos já irem levantando ideias para o próximo período de estudo. Às vezes é produtivo, às vezes não.

Mas não vamos nos descabelar, o jeito é fazer o nosso melhor dentro das condições que temos. Tô seguindo por esse caminho porque de professor doido o mundo já está cheio.

Bom, por último, a prova escrita é uma boa forma de registro da evolução. Claro, ela nunca mostra a totalidade do aluno, mas serve de ponto de partida.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Resenha de livro - É melhor ser feliz do que ser normal

    Tenho lido alguns livros de autoajuda nos últimos tempos. Eles me ajudam a refletir, me relaxam. É sempre uma leitura leve.
    Vi esse livro pela primeira vez em uma livraria do Centro de São Paulo. Logo de cara  me identifiquei com o título. É ou não é divertido? O conteúdo é bem a expressão dele.
   O autor é um psicólogo alemão, Robert Betz. Ele vai pautando como nós seguimos padrões e expectativas de terceiros mesmo que isso nos torne infelizes. E, pior, fazemos isso buscando, adivinhe o quê? Ser felizes.
    Segundo o autor, seguir os padrões só nos torna pessoas aprisionadas, por isso devemos guiar nossas vidas com foco no que é realmente importante para nós e não no que esperamos das outras pessoas. No link abaixo há um trecho do livro, vale a pena a leitura:

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2014/09/1516682-leia-trecho-de-e-melhor-ser-feliz-do-que-ser-normal.shtml

Scrum. A arte de fazer o dobro na metade do tempo




    Neste post quero registrar impressões sobre o livro "Scrum, A arte de fazer o dobro na metade do tempo".  Este é um livro voltado para administração e foca a potencialização dos processos.

    Eu acho que essa abordagem é muito interessante primeiro para a gestão da nossa  vida, em meio a loucura cotidiana, segundo para o meu trabalho de professora. Há sempre a questão da gestão do tempo, da gestão das diversas atividades que temos para fazer, da organização da minha rotina de exercícios físicos, dos diversas conteúdos que preciso ensinar, do monte de alunos com os quais é preciso lidar, etc. Gosto muito de livros nesse caminho. Estamos sempre gerindo alguma coisa. Essas leituras ajudam inclusive na gestão de coisas menos palpáveis, como os nossos sentimentos, as angústias, as felicidades. Uma vez eu li em algum lugar que a bagunça externa é apenas reflexo da bagunça interna. Super concordo.
    Agora, sobre o livro, não se pode perder de vista que o livro trata do cotidiano de empresas. Não é a mesma realidade da nossa vida, não é a mesma realidade da escola. Mesmo assim, valeu a pena leitura. 
    Bom, muita coisa que está no livro, eu já tinha lido antes no livro do David Allen "A arte de fazer acontecer". De todo jeito, o autor aborda os mesmos assuntos com outro ponto de vista, então é ok.
    Um dos conceitos citados no livro é a importância da transparência. Todo grupo precisa saber o que todos estão fazendo, quem é responsável pelo o que, quando terminará, etc. Para isso, ele sugere o uso de um quadro para visualização. Em resumo, cada ação estará no quadro, e será possível acompanhar sua evolução. Eu adicionei abaixo uma imagem retirada do livro que ilustra bem:


   Eu achei isso bem interessante para organização de eventos grandes como exposições, feiras culturais, projetos, etc. No exemplo acima, o autor sugere o uso de "post it". Quando uma atividade passa de "fazendo" para "feita" é só mover o papelzinho para a parte certa do quadro. 
    Outra coisa que vai ficar do livro é a necessidade de revisão constante. O livro do David Allen já traz um conceito parecido: a revisão semanal. Em "Scrum" essa ideia de revisar é um pouco mais abrangente. Jeff Sutherland indica algo mais para uma avaliação do processo. É a ideia de que a avaliação feita apenas no final deixa de corrigir erros que estejam em curso. É meio óbvio, mas ao mesmo tempo libertador: ele aponta que todo processo de planejamento é falho e por isso deve ser corrigido no meio do percurso. Sabe aquele plano de aula lindo, mas que no fim a gente não fez nem metade? Segundo o livro isso é inevitável. Desde que li esse livro sempre que faço algum planejamento me sinto menos angustiada quando percebo que não estou conseguindo seguir aquilo ao pé da letra. Apenas replanejo e toco o barco. Isso, claro, só faz sentido para um professor que planeja suas aulas e isso nem sempre é a realidade. Mas esse tema é muito complexo, dá um outro post inteiro. 
    Enfim, o livro foi bastante produtivo, recomento a leitura.


sábado, 1 de agosto de 2015

Bala de Gelatina


Há algumas semanas estive pesquisando atividades para o dia dos pais. Já deixo aqui meu manifesto de que acho que as escolas não deviam trabalhar essas datas comerciais, principalmente essa, considerando a nova configuração das famílias.
Enfim, apesar do meu pensamento, também acredito que não se faz nada sozinho em escola. Trabalho pedagógico é trabalho coletivo, não é? Esse ano, o grupo decidiu abordar essas datas dentro do enfoque "família". O argumento é que não ignorar a data já que ela está na mídia, então devemos levar nossos alunos a refletir e questioná-las. Eu ando trabalhando assim. Aliás, essa semana li um texto bem interessante na Nova Escola que descreve bem o caminho que venho tentando levar para conciliar o meu desagrado em trabalhar as datas comemorativas e os caminhos elegidos pelo grupo escolar:
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/festa-projetos-dia-pais-maes-fazer-escola-635504.shtml

Tive algumas ideias para o dia dos pais dentro desse contexto. Vou descrevê-las abaixo. Esse ano eu estou trabalhando em rodízio com turmas de 5°ano, mas se alguém quiser aproveitar as ideias para crianças menores, talvez seja possível adaptar.

1. Trabalhar obras com a estrutura da família em tempos passados.
http://artesmonalisa.blogspot.com.br/2014/01/obras-de-arte-que-retratam-familia.html

2. Comparar diferentes estruturas de família. Observar a família na época pré colonial e agora

3. Fazer releitura do quadro " A familia de Tarsila do Amaral"
http://museuvirtualsemanaartemoderna.arteblog.com.br/9585/A-FAMILIA-TARSILA-DO-AMARAL/

E, claro, como nunca pode deixar de faltar, a boa e velha lembrancinha que para meus alunos sempre nomeio como "uma lembrança para aquela pessoa especial que cuida de você". Essa abordagem tem funcionado bem no decorrer dos anos, mas ultimamente tenho encontrado uns indivíduos que não são cuidados por ninguém... Bom isso é tema para outro post inteiro.

Voltando à lembrancinha, pensei em coisas que pudessem ser dadas tanto para homens como para mulheres, afinal, dia dos pais já não é mais dia dos pais em muitas famílias. Achei esse bloco de notas que é bem bonitinho, aliás, a releitura do quadro da Tarsila poderia ser a capa do livrinho.

Bloco de papel:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgByJlGsb8b_6Tq5RjhX0XrNMkNsjDtKHG0MEf9zsBY0Va01DfQ6QDnAOCfllToXug-D454NSuwMJIaitYOaddcFWx9zMD2PYGNLjjvWEmEM4gpa-7-U1G0-F1Ymg6AcIkACHnvdcvxLA/s1600/bloco.jpg

Depois descobri essa balinha feita de gelatina. Achei que também seria um bom presente. Quem é que não gosta de um docinho, não é? Já tentei fazer e é fácil e gostosa. Para entregá-la pensei de usar uma caixinha de papel, feita d dobradura. Abaixo tem o vídeo de dois modelos, o segundo é um pouquinho mais fácil.

Caixinha de dobradura:
https://www.youtube.com/watch?v=ymrQr_PbRS4

https://www.youtube.com/watch?v=QChJXFIZQic


Balinhas para colocar na caixinha:
https://www.youtube.com/watch?v=zyuFLuYrHew



E
u fiz a balinha em casa. Vocês  podem ver na imagem que ela até que ficou bonitinha. 
Eu usei um daqueles copinhos de café como forma. Se ficar na geladeira, a balinha fica bem durinha. 
Fora da geladeira ela não derrete, mas não fica tão firme.
Ainda assim, é uma ideia boa, talvez para os dias das crianças, dia das mães, etc.

Registrando leituras

    Eu leio muito e de tudo. Muitas das coisas que leio acabam, inclusive, me ajudando nas aulas, na correria do dia a dia.
    O que acontece, às vezes, é que leio algo super interessante e depois, por não ter feito nenhum registro, não consego recuperar as informações ou, pior, nem lembrar de onde eu tirei aquela informação.
    Pensando numa solução para isso, achei interessante fazer o registro dos livros que venho lendo aqui no blog. Há alguns registros assim na rede, é bem legal acompanhar. Um dos que eu mais gosto de acompanhar é o da Tatiana Feltrin.
http://www.tatianafeltrin.com/
https://www.youtube.com/user/tatianagfeltrin

    É uma graça! Adoro a forma como ela fala dos livros. Não é uma análise literária, é mais um registro do que ela leu e as impressões que teve. Pensei de seguir por esse caminho. Acho interessante porque funciona como um estímulo para a leitura.
    Eu já faço um acompanhamento no site do Skoob. É um site bem legal. Além de registrar as leituras,  também é possível saber a opinião de pessoas que já tenham lido um determinado livro, resenhas, vídeos e preços. No meu perfil você pode acompanhar o que estou lendo. Eu também gosto de seguir a Thais Godinho, do blog "Vida Organizada" (já falei dela por aqui). Ela sempre sinaliza livros interessantes.
    O que pensei foi, na verdade, fazer um acompanhamento mais personalizado. Registrar os livros, ideias que tive de como utilizá-los em sala de aula, trechos que achei muito interessantes, etc. Chega de perder coisas e informações importantes porque não registrei!
    Ah! Lembrei de outro lugar que traz informações muito interessantes sobre leituras. É o blog "O Espanador". Vale muito a pena acompanhar. Eles trazem muitas novidades sobre tudo que tiver a ver com leitura, desde mangás até os clássicos. Sabe aquela sensação de "O que eu leio agora?" que bate às vezes? Pois é, é só acompanhar o blog deles e ter um monte de sugestões.
    E você, como andam suas leituras?

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Vida de professor e finanças


Tive alguns problemas com cartão de crédito no passado. Quem nunca?

Cartão de crédito, nunca conseguimos pagar o total da fatura, sempre sobra um restinho para o outro mês... Isso quando sobra dinheiro para o cartão de crédito porque às vezes ficamos revezando as contas. 
Este mês pagamos a água que já está quase para ser cortada e não pagamos o telefone ou a luz, no próximo mês pagamos o telefone e a água, mas não a luz. Ou então pagamos tudo e lá vamos nós para o cheque especial. 
Para quem é professor como eu, é difícil não conhecer alguém que não tenha lá no seu holerite o bom e velho empréstimo consignado em não sei quantas vezes, parece que não acaba mais. Também, pudera, quando acaba a gente faz outro logo em seguida. Eu já estou pensando em criar uma associação, a Consignados Anônimos, professor para participar é o que não vai faltar.

Seria mais fácil se as pessoas acreditassem

Seria mais fácil se as pessoas acreditassem


Atualmente estou trabalhando na EMEF Joaquim Bento. Tenho gostado bastante de trabalhar com as crianças da primeira série de lá. É muito interessante ver o progresso dos alunos.  Tenho uma turma de crianças boa, o grupo aceita bem as regras de convivência.  Quando alguma criança quebra alguma regra, como machucar alguém, pegar algo que não é seu ou não faz a lição direitinho, as próprias crianças se corrigem.  O lema da sala virou: “Você merece coisas boas se faz coisas boas. Se você não faz coisas boas, perde coisas boas”.  É muito bonitinho como as crianças entenderam direitinho. Quando alguém quebra as regras normalmente a própria criança, ou o grupo sentencia: “Perdeu uma coisa boa...”.
Elas também estão evoluindo de forma interessante na alfabetização em si. Já há crianças alfabéticas na sala, a maioria é silábica e não há nenhum pré-silábico. Isso é muito bom considerando que no início do ano, com exceção de duas crianças, todas eram pré-silábicas.
Os alunos gostam muito de atividades voltadas à matemática, já estou conseguindo até trabalhar o conceito inicial da divisão, que para o primeiro ano seria muito avançado. É uma gracinha como eles ficam brincando “Dois mais dois é quatro” “Quanto é vinte mais vinte?” “Como se escreve cento e vinte?”
Infelizmente, tenho tido alguns problemas com as famílias. Inicialmente, os pais não mandavam para a escola o material que as crianças ganharam da prefeitura sob a alegação de que “as crianças estavam estragando o material”. É claro que as crianças tem que aprender a usar o material, mas isso só pode ser feito se elas tiverem material para que eu ensine a usá-lo. Depois de algumas conversas a situação está melhorando e a maioria dos pais manda material para as crianças agora. Bom, pelo menos o essencial.
Depois enfrentei, aliás, enfrentamos, eu e as outras professoras da primeira série, um problema relacionado à metodologia de ensino. Os pais questionavam o trabalho lúdico, atividades construtivistas e a falta de lição de casa. Alguns chegaram, inclusive a me trazer cartilhas no estilo “Caminho Suave”. Atendi vários pais, expliquei várias vezes a metodologia que estava usando, mostrando os documentos oficiais que amparavam a minha prática. Expliquei minha postura sobre a lição de casa: concordo com ela, mas apenas se a atividade está de acordo com a criança. Uma lição de casa que a criança não consegue resolver sozinha, só a desestimula e ficou visível que algumas crianças não teriam ajuda dos pais para realizar tarefas caseiras. Muitas crianças vêm à escola sem realizar tarefas mínimas de higiene como escovar os dentes, pentear os cabelos ou até tomar banho. É comum que crianças que não realizaram a tarefa durante a aula não serem orientadas pelos pais. O ideal seria que se a família observa que a criança não fez a lição daquele dia questione o aluno, mas o que eu tenho visto são questionamentos sobre o trabalho da escola. As crianças são muito pequenas para o ensino formal. Por mais que eu as estimule a estudar, se esse estímulo não vem de casa, me resta pouco a fazer.
De toda forma, conforme as crianças foram avançando no conhecimento, começaram a reconhecer letras, ler pequenas palavras, algumas até textos, os pais se acalmaram. Alguns já vieram até parabenizar o trabalho.
Nas ultimas semanas tive alguns atendimentos a famílias que foram bem cansativos. O primeiro foi uma mãe que se mostrou descontente porque eu orientei sua filha a cuidar de seu próprio material. Depois disso a responsável pela criança se negava a conversar comigo. Depois de ser convocada por escrito e sob ameaça de encaminhamento para o conselho tutelar, ela aceitou falar comigo sobre o desenvolvimento da criança. Então registrei e encaminhei a situação devidamente. O questionamento da mãe era se não havia uma criança roubando as coisas das crianças na sala.
Ironicamente, realmente há não uma, mas pelo menos cinco crianças que pegam os pertences dos outros na sala. Expliquei que estou trabalhando junto às crianças e às famílias para que isso não ocorra, mas que ainda assim a filha dela deve aprender a cuidar de seus pertences. Depois da conversa a mãe pareceu entender a situação e está colaborando agora.
O problema dos roubos tem sido realmente um problema e, após muito conversar com as crianças, levei o assunto para reunião de pais. Expliquei que as crianças estavam pegando material de outras crianças, lanche, roupas, batons, brinquedos, todo tipo de coisa. Os pais se comprometeram de conversarem com suas crianças e exigiram que eu fosse rígida com as crianças que estavam pegando as coisas dos outros. Combinamos que o trabalho seria intensificado e que eu usaria as expressões roubar e polícia para me referir ao ato de pegar algo de outra pessoa e às punições que isso poderia gerar.
Acontece que uma das mães que exigiu rigidez para lidar com as crianças era mãe de uma das crianças que estavam pegando as coisas das outras. Ela se sentiu ofendida quando a filha pegou o lanche de uma coleguinha no intervalo e foi orientada a devolver um pacote de bolacha igual ao que pegou. Essa mãe eu não atendi. Tudo tem limite e ela estava sendo, no mínimo, incoerente.
E para finalizar houve o caso da aluna que vinha intimidando os outros alunos, dizendo que só seria amiga das outras crianças se está lhe dessem algo. Assim ela estava pegando coisas das crianças e as forçando a fazer coisas que elas não queriam em troca da sua amizade. Ela estava forçando as crianças a entrar no banheiro e invocar a loira do banheiro, por exemplo. Pedi que a mãe ficasse na hora da saída para conversar comigo em particular, afinal é um caso um pouco mais sério, mas ela estava sempre ocupada e remarcava o dia da conversa.
Enfim, aconteceu de uma criança trazer duzentos e cinquenta reais para a escola e entregar a  menina citada acima e mais outra. Não sei se foi porque ela queria a amizade da colega, a criança que trouxe o dinheiro é muito tímida, me disse apenas que o dinheiro era de sua mãe.

Como exigido pelas mães na reunião de pais, eu fui rígida com as crianças que pegaram o dinheiro da colega. As fiz prometer que nunca mais fariam isso.
No dia seguinte, hoje, não fui trabalhar, pois tinha uma consulta médica, mas fui informada que a avó de uma das crianças que pegou o dinheiro ficou ofendida pela forma como repreendi a criança. Acontece que a criança em questão é justamente a que eu venho tentando falar com a família, mas a mãe está sempre ocupada.
Bom, irei atender a família.
Está sendo um aprendizado intenso. Tenho concluído algumas coisas que me ajudarão a lidar melhor com as famílias, eu acho:
1 Registrar tudo e na hora que acontece. 
2 Não atender pais sem registrar por escrito e fazê-los assinar.
3 Atender casos mais extremos sempre com alguém da direção. 
4 Sempre fazer uma cópia da pauta da reunião de pais e mandar para os pais que não estiveram presentes.
De todo jeito, sei que isso vai melhorar. As pessoas ainda não conhecem meu trabalho. Não tenho dúvidas do que estou fazendo, sei que estou fazendo o melhor possível em cada situação, com o tempo vai passar.
Lembro que quando entrei na EMEI Barão em 2008 também enfrentei muitos problemas, inclusive com a direção da escola questionando meu trabalho. Com o tempo as pessoas viram como eu trabalho e criaram confiança. Tudo passou. Tudo vai passar agora também. Só é uma pena que as pessoas ajam assim, eu me sinto uma criminosa que precisa ser vigiada. Como sabiamente  diz meu coordenador: “A educação seria mais fácil se as pessoas acreditassem nos professores”.
Aliás , hoje meu coordenador me falou outra, também muito boa: "Não se responsabilize por coisas que não são sua função. Sua função é ensinar." Pois é, podemos ajudar na educação das crianças, mas ela não é nossa responsabilidade. Todos os problemas que vêm surgindo na minha escola ultimamente são de ordem moral e isso é função da família.

Bom gente, este post foi um desabafo. Desculpem pelo clima pesadão dele. Mas, para falar a verdade, acho que falas assim deviam ser mais frequentes. Sempre que vemos algo sobre educação são sempre práticas lindas com tudo perfeito e nós, professores reais ficamos com a impressão de que estamos em outro mundo. Afinal, lá no mundo real as coisas quase nunca são perfeitas. Não é?

Enfim, eu acho que mesmo na dificuldade a educação ainda é o caminho. Como diz o Mario Sergio Cortella: "O impossível é apenas uma opinião". Me contem nos comentários o que vocês acham. Está difícil também? Teve ideias diferentes? Conta para a gente!