Eu adoro
planejar tudo. Desde coisas que vou fazer, passando pelas aulas que vou dar, o
que vou comprar, o que vou vestir no dia seguinte, a rotina do dia, os
presentes de aniversário que preciso comprar... Mil coisas que talvez nem
precisassem de tanto planejamento (isso segundo meu marido, porque eu acho que
sempre que antecipamos algo, esse algo sai melhor no final).
Acontece que
às vezes fico tão distraída pensando em coisas futuras que acabo me esquecendo
do presente. Pois é, fico assim lidando com esse “impulso de desordem” que me
leva a querer planejar cada vez mais (oi?) para evitar que eu me esqueça de coisas
importantes.
Com esse
sentimento acabei descobrindo o blog da Thais Godinho, o Vida Organizada (http://vidaorganizada.com/) que é uma
graça e ajuda muito a pessoas parcialmente enlouquecidas como eu. Recomendo
muito a leitura. Lá, ela fala de organização de coisas do dia a dia, do
trabalho, da vida. É bem interessante.
Bom, fechando
esse enorme parêntesis, eu comecei a falar de planejamento para falar justamente
do oposto: de como em sala de aula às vezes é bom você fugir do que estava
programado e aproveitar o momento.
Na Educação
Infantil tento ler todos os dias para meus aluninhos de quatro anos. Essa
prática tem muitas vantagens para as crianças que já começam a ter contato
desde cedo com diferentes gêneros textuais e vão ganhando diferentes
oportunidades de refletir sobre o papel da leitura e escrita. Enfim, em um dos
dias dessa semana percebi, na hora planejada para a leitura, que os alunos
estavam muito agitados para fixar a atenção. Resolvi, então, realizar uma “contação
de história” ao invés de ler.
A contação
consiste em se narrar uma história em voz alta para os alunos usando recursos
de dramatização. Também é uma prática muito aconselhada na Educação Infantil
por estimular a criatividade, desenvolver a seqüência temporal, a capacidade de interpretação, entre outras
coisas.
Contei para
eles a história dos três porquinhos e foi muito interessante porque depois foi
possível fazer uma dramatização da história com os próprios alunos. Em roda,
fui contando a história novamente e conforme os personagens e as situações
apareciam, pedi que os alunos os representassem. Assim fizemos com a mamãe
porca, com o lobo, com o momento em que as casinhas são derrubadas, etc. Depois,
vendo que os alunos continuavam empolgados, pedi que fizessem um
desenho sobre a história e por fim, quando achei que a atividade já tinha se
esgotado, distribui brinquedos de montar para as crianças. Qual não foi a minha
surpresa quando vi que alguns grupos estavam “brincando de construir as
casinhas dos porquinhos” com os blocos. Vendo isso, eu propus a atividade para
a sala toda.
Uma atividade
que seria apenas uma leitura acabou sendo mais produtiva. Se eu tivesse
insistido em seguir meu planejamento e feito a leitura apesar de perceber que
os alunos não estavam dispostos a isso naquele momento (Como já fiz
erroneamente algumas vezes na minha vida...) não teria tido resultados tão
bons.
Fazendo assim
os alunos se envolveram e, melhor, se acalmaram possibilitando que eu pudesse
fazer a leitura de um livro depois da brincadeira com os blocos de montar.
Para mim, que
adoro o planejamento e a sensação de ter tudo sobre controle, é meio difícil falar
isso, mas às vezes é mais importante seguir o momento.
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