sábado, 8 de junho de 2013

Abandonando o Planejamento


Eu adoro planejar tudo. Desde coisas que vou fazer, passando pelas aulas que vou dar, o que vou comprar, o que vou vestir no dia seguinte, a rotina do dia, os presentes de aniversário que preciso comprar... Mil coisas que talvez nem precisassem de tanto planejamento (isso segundo meu marido, porque eu acho que sempre que antecipamos algo, esse algo sai melhor no final).
Acontece que às vezes fico tão distraída pensando em coisas futuras que acabo me esquecendo do presente. Pois é, fico assim lidando com esse “impulso de desordem” que me leva a querer planejar cada vez mais (oi?) para evitar que eu me esqueça de coisas importantes.
Com esse sentimento acabei descobrindo o blog da Thais Godinho, o Vida Organizada (http://vidaorganizada.com/) que é uma graça e ajuda muito a pessoas parcialmente enlouquecidas como eu. Recomendo muito a leitura. Lá, ela fala de organização de coisas do dia a dia, do trabalho, da vida. É bem interessante.
Bom, fechando esse enorme parêntesis, eu comecei a falar de planejamento para falar justamente do oposto: de como em sala de aula às vezes é bom você fugir do que estava programado e aproveitar o momento.
Na Educação Infantil tento ler todos os dias para meus aluninhos de quatro anos. Essa prática tem muitas vantagens para as crianças que já começam a ter contato desde cedo com diferentes gêneros textuais e vão ganhando diferentes oportunidades de refletir sobre o papel da leitura e escrita. Enfim, em um dos dias dessa semana percebi, na hora planejada para a leitura, que os alunos estavam muito agitados para fixar a atenção. Resolvi, então, realizar uma “contação de história” ao invés de ler.
A contação consiste em se narrar uma história em voz alta para os alunos usando recursos de dramatização. Também é uma prática muito aconselhada na Educação Infantil por estimular a criatividade, desenvolver a seqüência temporal,  a capacidade de interpretação, entre outras coisas.
Contei para eles a história dos três porquinhos e foi muito interessante porque depois foi possível fazer uma dramatização da história com os próprios alunos. Em roda, fui contando a história novamente e conforme os personagens e as situações apareciam, pedi que os alunos os representassem. Assim fizemos com a mamãe porca, com o lobo, com o momento em que as casinhas são derrubadas, etc. Depois, vendo que os alunos continuavam empolgados, pedi que fizessem um desenho sobre a história e por fim, quando achei que a atividade já tinha se esgotado, distribui brinquedos de montar para as crianças. Qual não foi a minha surpresa quando vi que alguns grupos estavam “brincando de construir as casinhas dos porquinhos” com os blocos. Vendo isso, eu propus a atividade para a sala toda.
Uma atividade que seria apenas uma leitura acabou sendo mais produtiva. Se eu tivesse insistido em seguir meu planejamento e feito a leitura apesar de perceber que os alunos não estavam dispostos a isso naquele momento (Como já fiz erroneamente algumas vezes na minha vida...) não teria tido resultados tão bons.
Fazendo assim os alunos se envolveram e, melhor, se acalmaram possibilitando que eu pudesse fazer a leitura de um livro depois da brincadeira com os blocos de montar.

Para mim, que adoro o planejamento e a sensação de ter tudo sobre controle, é meio difícil falar isso, mas às vezes é mais importante seguir o momento.

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